Como as edtechs estão nos ensinando a pescar

* Artigo publicado originalmente por Jackie Carmel and Sophie Kronk no Endeavor Catalyst.

Dizem que se você dá um peixe a uma pessoa, você a alimenta por um dia. Mas, se você ensina uma pessoa a pescar, você a alimenta para o resto da vida. 

Embora essa máxima geralmente seja verdadeira, ela se mostrou imprecisa quando falamos da educação para o desenvolvimento das habilidades profissionais. Hoje em dia, esse provérbio seria mais ou menos assim: dê a uma pessoa um peixe e alimente-a por um dia. Ensine uma pessoa a pescar e ela será alimentada por um tempo, até que as regras da pesca mudem e ela precise encontrar uma nova vara e descobrir as coisas de novo.

As varas de pesca de muitas pessoas já não funcionam  em um ambiente de trabalho em rápida mudança. Aquelas que funcionavam até cinco anos atrás já não são mais eficazes. Agora, o treinamento vocacional e a educação continuada – mesmo na forma de micro certificações – estão se mostrando cada vez mais importantes para as empresas. Sem contar que as scale-ups que oferecem esses treinamentos estão recebendo investimentos como nunca visto antes. 

Investimentos em edtechs

De acordo com a HolonIQ, em 2021 as edtechs globais receberam investimento de $ 500 milhões e chegaram em 2020 com um valor 32 vezes mais alto, totalizando $ 16,1 bilhões – duas vezes o recebido em 2018. E, quase metade dessas captações foram destinadas para empresas focadas no desenvolvimento profissional, reforçando as mudanças pelas quais o mercado de trabalho está passando. 

Descomplica, do Empreendedor Endeavor Marco Fisbhen, realizou, este ano de 2021, a maior rodada de uma edtech na América Latina – R$450 milhões ou US$84.5 milhões, co-liderada pela Invus Opportunities e Softbank. Fundada em 2011, a scale-up se concentrou inicialmente em ajudar os alunos a se prepararem para prestar vestibular e concursos. Desde então, a empresa cresceu e se expandiu e, em 2020, lançou a primeira universidade online no Brasil com uma mensalidade acessível.

Estamos avançando rapidamente para construir a maior faculdade da América Latina e atingir  um milhão de alunos com um modelo 100% digital.” — Marco Fisbhendescomplica edtechs

Marco Fisbhen, Empreendedor Endeavor e fundador da Descomplica

Outro aporte foi o Series A de US $ 17,5 milhões da Crehana em dezembro de 2020, liderado pela Mountain Nazca, com participação da Salesforce Ventures e Endeavor Catalyst. A scale-up, co-fundada pelos Empreendedores Endeavor do Peru Diego Olcese e Rodolfo Dañino, é uma plataforma de aprendizagem para profissionais criativos e digitais. Qualquer pessoa na América Latina com um smartphone pode ser rapidamente treinada através de micro certificações de empreendedorismo até animação 3D. Com a pandemia, viu sua receita crescer 300% à medida que mais pessoas optaram pelo aprendizado online.

E, embora ainda seja março, já vemos algumas empresas inovadoras sendo financiadas neste ano de 2021. A Ironhack oferece treinamento intensivo em tecnologia na Europa e nas Américas do Norte e do Sul, levantou US $ 20 milhões em sua última rodada de investimento. Desde o seu lançamento em 2013, a scale-up formou mais de oito mil alunos, com uma taxa de colocação profissional de 89%. 

Acreditamos que o treinamento de habilidades práticas, uma comunidade global de apoio e programas de desenvolvimento de carreira podem dar a todos – independentemente de sua educação ou histórico de empregos – a capacidade de escrever suas histórias por meio da tecnologia.” — Ariel Quiñones, Empreendedor Endeavor da Espanha e co-fundador da Ironhack

Outra empresa que recebeu um aporte foi a  ELSA, fundada pela Empreendedora Endeavor Vu Van de São Francisco, EUA, que ajuda as pessoas a aprenderem inglês usando a tecnologia de reconhecimento de fala para corrigir a pronúncia, permitindo que os profissionais se aprimorem rapidamente e desbloqueiem oportunidades de carreira. A scale-up aportou US $ 15 milhões em um Series B liderada pelo Vietnam Investments Group e SIG, com participação da Gradient Ventures, Endeavor Catalyst e outros.

Uma coisa é certa: a educação está mudando, em grande parte em resposta aos avanços exponenciais da tecnologia. E deve continuar a evoluir para atender as necessidades dos alunos e as demandas dos profissionais que estão surgindo. 

Para ver como a educação está evoluindo, basta olhar para os empresários e empresárias do setor privado, que estão inovando rapidamente para acompanhar o ritmo. Agora, mais do que nunca, devemos ensinar os alunos e alunas a serem aprendizes ao longo da vida. 

Vamos pescar!