Tembici: o sonho de popularizar a bicicleta como meio de transporte no mundo todo

É por meio de histórias que entendemos o mundo, formamos uma sociedade e construímos culturas. Por meio delas, também nos entendemos, firmamos laços com outras pessoas e ocupamos o nosso lugar. 

São pelas histórias que fazemos revoluções, que as scale-ups se disseminam pelos quatro cantos do mundo e transformam economias, geram empregos de qualidade e democratizam o acesso a melhores produtos e serviços para a população.

São as histórias que contamos que fazem com que, cada vez mais, empresas se tornem referências em ESG e que empreendedoras e empreendedores assumem a responsabilidade de impactar positivamente a sociedade em que vivemos.

Assim como tudo na humanidade, as scale-ups são feitas de histórias: das pessoas que a começaram, daquelas que entraram no barco e ajudaram a remar, das pessoas que são impactadas diretamente por ela, dos parceiros, e, também, de toda a sociedade. 

ATembicié uma scale-upfundada por Maurício Villar e Tomás Martins em 2010, que conta a história da revolução da micromobilidade urbana no Brasil e na América Latina, da transformação das cidades pela bicicleta e da construção de um futuro sustentável. 

Essa história começa na infância dos dois empreendedores, lá na década de 80.

A história do Maurício 

Nascido na zona Norte de São Paulo, teve como maior inspiração empreendedora o seu avô Nelson, fundador de uma loja de quadros, que conseguiu crescer profissionalmente para alcançar sua independência financeira e de sua família através do empreendedorismo. 

Meu avô sempre foi uma inspiração para mim. Apesar dele ter falecido quando eu era ainda bem jovem, eu sempre lembro dele em alguns momentos da minha trajetória empreendedora.” — Maurício Villar 

Inspirado pelo seu irmão e seu pai, foi fazer Engenharia na USP com o objetivo de se aprofundar no universo automobilístico. 

Eu sou apaixonado por mecânica e robótica. Gostava de ver as coisas funcionando. Pra mim, naquela época, carros eram a concepção máxima de mecânica e tecnologia que o ser humano usava todos os dias.” — Maurício

Porém, pouco tempo depois essa concepção mudou de vez. 

Maurício foi para a França em um intercâmbio estudantil e conheceu um modo de viver a cidade completamente diferente. Em Marselha, sentiu a cidade mais humana. Havia mais espaço aberto para que as pessoas pudessem circular. Haviam bicicletas compartilhadas para que as pessoas pudessem viver as suas vidas de forma mais eficiente. 

Logo que chegou, a avenida principal da cidade estava sendo reformada: duas faixas de carros seriam destruídas para dar espaço para uma ciclovia e uma calçada maior. Na cabeça de Maurício, parecia uma loucura. Mas o objetivo era que outros meios de transporte também pudessem ter o seu lugar, não apenas os carros. 

Voltando para o Brasil, estava determinado em implementar bicicletas compartilhadas no campus da USP, em São Paulo, como seu projeto de conclusão de faculdade. 

A construção desse projeto o levou até o Tomás, que estava querendo iniciar uma empresa com impacto sustentável no Brasil. 

A história do Tomás 

Tomás também teve seu avô Petti como grande inspiração empreendedora, lidando com seus diversos negócios: consultoria, academias e gráficas. Além disso, seu pai, Marcos, era médico e um grande exemplo de profissional que tinha autonomia e liberdade para tomar suas próprias decisões e criar o seu caminho. 

Essas influências podiam ser vistas na juventude de Tomás, que sempre prezou muito pela liberdade de ir e vir da casa dos seus amigos e aproveitar a rua ao máximo. 

“Sempre andei muito pela cidade, estava na casa dos meus amigos, andava pra cima e pra baixo. Gostava de viver coisas diferentes e ter liberdade. Isso sempre foi muito importante pra mim, mal sabia eu que no futuro estaria fundando uma empresa de mobilidade.” — Tomás Martins 

Ao sair da escola, tentou fazer Administração e largou. Passou um tempo no cursinho até passar em Relações Internacionais, curso que realmente fez sentido para sua vida. 

Nesse meio tempo, fez um intercâmbio na Holanda e lá teve aprendizados parecidos com os do Maurício: cidades abertas, meios de transporte alternativos e negócios sustentáveis. 

Na Holanda, a gente usava bicicleta para tudo. E ela dava uma liberdade incontestável. Eu conseguia pegar uma bicicleta para ir até o metrô e parar em Paris, se eu quisesse. Eu tinha uma qualidade de vida aspiracional. Estar na rua transforma as pessoas e transforma o nosso redor. Aconteceu comigo e eu quero que aconteça com todo mundo.” — Tomás

Saiu da faculdade focado em empreender na área da sustentabilidade, assunto que sempre teve influência em sua vida, afinal, sua mãe, Mônica, é oceanógrafa. Tentou com seus amigos da sua turma de Relações Internacionais, mas não deu certo. Então, resolveu começar um novo empreendimento: iria trabalhar com bicicletas. 

Numa das reuniões para a construção do seu projeto, conheceu Maurício, que queria colocar bicicletas compartilhadas no campus da USP. 

O começo da história da Tembici

Maurício e Tomás dizem que ’juntaram os trapos’. Em 2010 começaram um negócio pouco usual para um país como o Brasil, desenhado para carros. Os empreendedores tinham desafios de educação em todas as instâncias: empresas, poder público e toda a população. 

Para encurtar caminhos, começaram a negociar diretamente com instituições privadas. O primeiro grande contrato foi com uma empresa de condomínios de Riviera de São Lourenço em dezembro de 2012. Sem MVP testado, sem dinheiro e sem time. O plano era entregar seis estações com 50 bicicletas em duas semanas. 

O que eles não esperavam é que ficariam por lá um ano e meio. Todos os pesadelos se tornaram reais: a estação não funcionava, o software deu várias falhas e até uma chuva de verão inundou todas as estações. 

No meio do caos que estávamos vivendo, todos os sócios viviam estressados. Um dia específico, quando todos estavam discutindo para resolver um problema, o Mau soltou uma célebre frase que marcou nossa cultura: ‘Temos que nos unir’. Na hora, eu fiquei nervoso. Se unir não adiantaria nada. Se unir, não faria uma placa eletrônica, uma estação e um software funcionarem. Mas, se unir faria algo bem mais importante, faria com que construíssemos um laço de relação entre os sócios que nos ajudou em diversos outros momentos de dificuldade. .” — Tomás 

Nesse primeiro desafio, a cultura da Tembici começava a tomar forma: 

Comprometimento para entregar o que prometem;

Não tem ‘não’ na empresa – sempre dá pra fazer; 

Resolver os problemas em conjunto e em parceria.

Nós nos consolidamos como um grupo. Estávamos muito focados em resolver o problema juntos.”

Maurício

Esse foi o Day1 do Maurício e do Tomás. 

Foi uma universidade para eles, que saíram desse desafio mais fortes do que nunca para a revolução na micromobilidade urbana. 

O surpreendente ano de 2014

Dois anos depois de Riviera, a Tembici estava crescendo com parcerias com empresas privadas, principalmente incorporadoras. Mas, com a crise imobiliária de 2014, perderam grande parte da receita. 

Rodavam com R$ 90 mil de despesas e R$ 45 mil de lucro. Para sobreviver, fizeram de tudo: pegaram dinheiro com namorada, pai, mãe e amigos. Em maio, tinham dinheiro só para mais um mês da folha de pagamento e o dinheiro acabaria de vez. Já acumulavam R$ 1 milhão em dívidas. Além disso, tinham acabado de tomar um não de um fundo de investimento.

Era o momento de tomar uma decisão difícil. 

Em uma reunião entre sócios, descobriram que dava para pegar cheque especial dos bancos. Abriram quatro contas e pegaram quatro cheques de R$ 12 mil em cada uma delas. Os 20 dias se tornaram 40, o que deu espaço para a história tomar outro rumo. 

O Itaú os procurou para fechar um novo projeto de bicicletas compartilhadas. Era o respiro que eles precisavam para continuar perseguindo o grande sonho.

Foi um momento de inflexão muito importante para a nossa história. Mudou tudo na Tembici.”

Tomás 

O sonho grande

Maurício e Tomás não seriam os empreendedores que são hoje se não tivessem superado todos os obstáculos e focado no sonho grande com resiliência, persistência e união. 

Com isso, provam para eles mesmos todos os dias que o sonho grande não tem limite. Eles querem inspirar uma revolução na mobilidade e oferecer a bicicleta como opção de transporte para todas as pessoas, começando pelo Brasil, chegando na América Latina e alcançando o mundo todo. 

Trabalhando com as pessoas certas e vencendo os desafios certos, conseguimos criar uma empresa que atua no Brasil inteiro. Nosso sonho é colocar a bicicleta como opção de meio de transporte no mundo todo.” — Maurício

Hoje, a Tembici é a empresa líder em micromobilidade na América Latina – já são mais de 1,5 milhão de viagens mensais em 10 cidades do Brasil, Argentina e Chile, com uma rede de 14.600 bicicletas e 1.000 e-bikes. 

O nosso produto facilita o acesso a bicicleta, um meio de transporte sustentável e com valores acessíveis.

Tomás

A scale-up, que já recebe o título de greentech, é formada por um time de mais de 700 pessoas apaixonadas por bicicletas e que acreditam em seu poder de transformação. Prova disso é que já ajudou a reduzir mais de 14.000 toneladas de emissões de gás CO2 nos últimos dois anos.

Quando a gente começou, não tinha ciclovia na Av. Paulista e na Faria Lima, em São Paulo. Hoje, a ciclovia da Faria Lima é uma das maiores do mundo. Sabemos que a revolução na mobilidade é de longo prazo, mas já começamos a ver o começo dessa mudança. Nós sonhamos com o dia que a Faria Lima e várias outras grandes avenidas terão apenas duas faixas de carro e oito de bicicletas.” — Tomás

A revolução na América Latina

A Tembici é um negócio de cidades. É um negócio que não olha para limites geográficos dessas cidades, mas sim para o tamanho populacional. É um negócio que existe para melhorar a vida das pessoas nos grandes centros urbanos. 

Por isso, em parceria com o Itaú, foram para o Chile e para a Argentina, provando que o sonho grande não precisa ter limites. 

Tivemos grandes aprendizados culturais, de negócio e de regulamentação. Foi mais 1 ano e meio de MBA e de reforço da cultura para nós.” — Tomás

Em Santiago, Chile, realizaram um dos maiores projetos de bicicletas compartilhadas da América Latina – são 4 mil bicicletas em 14 bairros da cidade. Em Buenos Aires, Argentina, entregaram um sistema público de compartilhamento de bicicletas, com 400 estações e 4 mil unidades distribuídas pela cidade – moradores e turistas da cidade podem utilizar de forma gratuita. 

O começo da história com a Endeavor

A história da Endeavor também está na história da Tembici. Há 10 anos atrás, Maurício ia em palestras da Endeavor para entender como começar o seu negócio. O Tomás se inspirava com as histórias de Empreendedores Endeavor. 

Estar aqui, 10 anos depois, como um Empreendedor Endeavor pela Tembici é um marco na nossa trajetória, mostra que estamos no caminho certo. Nos dá energia para seguir em frente. A gente acredita que o empreendedorismo pode transformar o país e queremos fazer parte dessa história.” — Maurício

Agora, com o apoio da nossa rede global, eles irão alargar ainda mais os limites do sonho grande de revolucionar as cidades do mundo inteiro, melhorar a vida das pessoas e ser, cada vez mais, referência em ESG para empresas de todo o país. 

Empreender é poder fazer alguma coisa diferente e transformar sonhos em realidade.”

Tomás