Turnaround e reestruturação financeira em momentos de crise

Confira os insights da Mentoria Coletiva realizada dia 25/3, exclusiva para Empreendedores Endeavor sobre o processo de reestruturação financeira, em resposta aos efeitos da recessão econômica. O conteúdo é parte de uma trilha de apoio especial para empreendedores apoiados navegarem pela crise.

Neste momento, transparência e clareza das situações são fundamentais. É preciso transmitir legitimidade de propósito aos seus stakeholders, buscar alternativas possíveis e implementar as medidas de maneira correta e ética. Seja racional.

O cenário é de ajuste tático e estratégico para todas as companhias do mercado e ninguém está imune a essa crise.

Será preciso fazer reestruturações financeiras e operacionais para passar pela turbulência que não temos clareza de quando será o fim. A reestruturação financeira é uma condição de contorno para que sua empresa consiga fazer a reestruturação operacional e sobreviver.

Nesse contexto, a reestruturação operacional será a etapa mais difícil, por isso o primeiro passo é fazer uma boa reestruturação financeira.

Diagnóstico financeiro:

  • Analise a estrutura de capital, especialmente dívida. A dívida alta é mais evidente, pois seu custo pressiona o fluxo de caixa. Mas, para entender o tamanho do problema, é preciso estimar o impacto das dívidas no caixa ao longo tempo.
  • Nesse momento em que as companhias estão sofrendo com o cumprimento das obrigações de pagamento, haverá maior necessidade de capital de giro.

Diagnóstico operacional:

É necessário um ajuste tático e estratégico, analisando a capacidade de geração de caixa da empresa. O ajuste tático deve ser feito agora e se tornará estratégico no médio prazo.

Você deve pensar em dois blocos distintos:

Cenário de guerra: Quem está nessa cadeia de valor, está sofrendo de queda de demanda e da incerteza em relação à duração dessa crise. Como há incerteza, todos os stakeholders estão se protegendo, o que está levando a um agravamento muito rápido do equilíbrio.

Aqui, você deve tomar medidas que mantenham sua empresa preparada para atingir competitividade no pós-guerra. Ou seja, entender como lidar com as despesas imediatas e entender questões estratégicas necessárias para uma retomada. Todas as medidas tomadas serão transitórias.

Cenário do pós guerra: cenário em que a incerteza diminui e você consegue inferir melhor sobre as decisões estratégicas de longo prazo a serem tomadas no seu negócio.

Pode ser necessário tomar medidas drásticas, mas lembre-se de que elas vão durar um período limitado de tempo. 

Análise de fluxo de caixa em momentos de crise: 

  • Faça análise do seu fluxo de caixa de 6 meses e 12 meses, para médio prazo, e diário e semanal, para curto prazo.
  • Faça testes de sensibilidade de acordo com os possíveis cenários. As suas projeções devem considerar os diferentes cenários.

Fonte: Sequoia: The matrix for COVID-19

Veja também o material sobre geração de caixa durante a crise

Ajuste da estrutura da empresa pela queda de consumo para equalizar novamente sua margem

Hierarquize os altos gastos da sua empresa e entenda onde é viável fazer acomodações para economizar custos.

Revise a quantidade pela queda de demanda do momento, e consequentemente, de receita. Posteriormente, negocie as quantidades a serem adquiridas.

Ao invés de discutir o preço unitário do que se está comprando, entenda se você realmente precisa comprar desse insumo. Entenda onde fazer as acomodações são mais possíveis e foque os esforços ali. É melhor ser conservador demais do que o contrário.

Comunicação com os stakeholders

É importante atualizar seus stakeholders sobre o que está acontecendo e como isso impacta seu negócio. Faça-os perceber que você está com a gestão do problema.

Sugestão: Use algum indicador externo à empresa para balizar as discussões no cenário de incerteza.

Renegociação com credores

Em uma estrutura de uma empresa, há sempre espaço para acomodação. A legitimidade de propósito é o ponto principal para a negociação acontecer. Em um momento de crise sistêmica há menos questionamentos, pois todos os stakeholders entendem a situação alheia.

Em momentos de crise, o sistema de credores bancários entende as necessidades e impactos nos macro-setores mais facilmente. Mas você deve estar pronto para demonstrar e explicar o que você está pedindo e o que você precisa!

Entenda, também, que há incerteza dos dois lados. Por isso, os bancos podem ser mais exigentes, o custo do capital pode ser mais alto.

No ambiente pós crise, é mais fácil ver os impactos na receita e quais são os próximos passos. Quem conseguir transferir isso aos stakeholders aumenta chances de sobrevivência.

O Brasil tem um mercado bancário concentrado, o que é favorável em situações assim, pois o sistema é mais sólido. Com isso, os bancos podem alocar recursos nos  setores que estão indo melhor ou pior, pois eles têm uma visão ampla da maioria das companhias.

Tome crédito agora se:

  • tem o uso para o caixa;
  • você precisa cobrir caixa.

Além disso, só tome linhas que estejam relacionadas com o seu plano e com a vida do seu caixa.

Veja aqui o mapeamento feito pela Endeavor de linhas de crédito de curto prazo

Depois de ler e considerar quais dessas dicas são aplicadas à sua realidade, lembre-se que o conjunto de todos os fatores gera um resultado positivo para o futuro da sua empresa, e também do seu time.

Na Endeavor, nós sabemos que muitas decisões sem precedentes precisam ser tomadas de forma precisa, realista e cautelosa. Em momentos como esse, temos a responsabilidade – e o desafio – de agirmos como verdadeiros exemplos para o país. Reconhece-se uma boa liderança pelo modo como ela age em momentos de crise, quando não há um playbook pronto ou clareza da melhor forma de agir.

Nesse momento, ouvir as orientações de quem já viveu uma experiência como essa, ponderar o impacto no curto, médio e longo prazo e agir com transparência são ações fundamentais para sairmos dessa crise mais resilientes e preparados para construir o mundo pós crise. Um passo depois do outro.