Venture Capital: veja quais são os principais setores para investimento em 2021

Em 2021, o mercado de Venture Capital vem mostrando volumes recordes de capital investido. No primeiro semestre do ano, startups e scale-ups brasileiras de diversos setores levantaram US$ 5,2 bilhões em 339 rodadas, um crescimento de 45% no volume de capital aportado em comparação com 2020, de acordo com dados do Distrito.

Diante desse cenário, alguns setores estão mais atrativos ao Venture Capital, evidenciando tendências vistas no Brasil, na América Latina e ao redor do mundo. A nível global, o destaque vai para Saas, e-commerce, saúde e serviços financeiros, em quantidade de rodadas, de acordo com a Reuters

Já no Brasil, os setores que mais chamaram a atenção do Venture Capital no primeiro semestre deste ano, foram: 

Serviços financeiros (US$ 2,4 bilhões)  – 72 rodadas 

Mercado imobiliário (829,4 milhões) – 11 rodadas

Varejo e E-commerce (US$ 416,2 milhões) – 36 rodadas

Recursos Humanos – 231,8 milhões – 12 rodadas

Supply Techs – 223,9 milhões – 12 rodadas

Fonte: Distrito

A seguir, destrinchamos cada um desses setores que se destacaram no Brasil. Confira!  

Serviços financeiros – Fintechs e Segtechs

O ambiente financeiro brasileiro é extremamente burocrático, complexo e ainda monopolizado pelos bancos tradicionais. Apesar disso, as fintechs encontram oportunidades suficientes para impulsionar a evolução do setor.

Esse cenário de disrupção foi acelerado durante a pandemia, já que consumidores precisavam de soluções financeiras mais flexíveis, e empresas buscaram alternativas de crédito com acesso mais facilitado para garantir a sobrevivência dos negócios.

Além do mais, há um movimento de flexibilização regulatória promovido pelo Banco Central, incentivando, cada vez mais, a digitalização do setor e a entrada de novos players inovadores. Como o Pix e o Open Banking. 

Esse movimento se reflete em números. Só no primeiro quadrimestre de 2021, as fintechs brasileiras receberam US$ 731 milhões em investimentos em 45 rodadas, seis vezes o montante total investido em 2020, segundo dados do Distrito. 

Creditas é prova disso. No fim de 2020, recebeu um aporte de Series E no valor de US$ 255 milhões para aumentar sua cartela de produtos, passando a oferecer soluções para casa, carro e salário e, também, expandir para o México. Confira a jornada de captações da Creditas.

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Mercado imobiliário – Proptechs e Construtechs 

Nos últimos 5 anos, construtechs e proptechs brasileiras cresceram o equivalente a 235%, segundo a Terracotta Ventures.

No final de abril de 2021, o setor alcançou o número de 839 empresas ativas, operando desde o projeto, construção, aquisição e até a propriedade em uso. Ao todo já são 20% a mais de empresas em comparação com o ano anterior.

Uma característica do setor é a concentração geográfica das startups e scale-ups, localizadas em sua maior parte em três estados do Brasil: São Paulo, Santa Catarina e Paraná. 

Um bom exemplo do desenvolvimento do mercado imobiliário no Brasil é a Loft. Fundada em 2018 pelos Empreendedores Endeavor Florian Hagenbuch, João Vianna e Mate Pencz, a Loft usa a tecnologia e dados para transformar o setor imobiliário. Em três anos, já chegou ao Series D recorde no ecossistema – US$ 525 milhões, liderado pela D1 Capital Partners.

Varejo – Retailtechs

De acordo com a consultoria pwc, a pandemia de 2020 acelerou o ritmo de mudanças comportamentais relacionadas ao modo como as pessoas vivem suas vidas – como trabalham, comem, se comunicam, se divertem e aprendem. No Brasil, os padrões de compras de mercado, entretenimento, assistência médica e até de dados mudou.

De acordo com o Distrito, o varejo já reúne 772 empresas no Brasil, contabilizando 54 mil funcionários para o país nesse ramo. Em 2020, teve US$ 540 milhões investidos em startups e scale-ups, representando um crescimento de 50% se comparado com o ano de 2019. Só no primeiro trimestre de 2021 o valor aportado em startups e scale-ups de varejo já era o triplo do aportado no mesmo período do ano anterior, representando 26% do total investido em 2020.

Veja aqui como inovar no setor

Esse destaque está diretamente relacionado à mega rodada da scale-up da rede  Endeavor, MadeiraMadeira, empresa de e-commerce de produtos para casa. Ao levantar US$ 190 milhões no começo de janeiro, a scale-up se juntou ao grupo seleto de empresas chamadas de unicórnios. 

Recursos Humanos – HR techs

A inovação na área de recursos humanos é uma das mais recentes no ecossistema. Das 373 startups que atuam hoje nesse ramo, 82% surgiram há menos de 10 anos, de acordo com o Distrito.

Essas empresas vêm revolucionando a relação entre empresas e colaboradores. Dentre as principais soluções oferecidas pelas HR techs, destacam-se: Desenvolvimento e Gerenciamento de Talentos (42,9%); Recrutamento e Seleção (28,2%); HR Core (25,5%), Office Services (1,9%); HRMS (1,3%); e Offboarding.

Desde 2014, o Brasil recebeu cerca de US$ 473 milhões nesse setor, mas esse valor  representa apenas 2% dos investimentos globais em HR techs. Porém, especialistas acreditam que podemos muito mais. De acordo com os dados atualizados do Sebrae,  existem mais de 20 milhões de empresas no Brasil, todas elas conduzem atividades de recursos humanos, e portanto podem ser apoiadas por HR techs. 

Um exemplo de sucesso de HR tech da nossa rede é a Gupy, scale-up com soluções de recrutamento e seleção, que viu seu crescimento acelerar durante a pandemia, tendo como resultado uma rodada de R$ 40 milhões em 2020.

Supplytechs

Alguns setores são menos evidentes, atuam em problemas de intermédio, e impactam consumidores finais indiretamente. Ainda assim, são fundamentais para a cadeia produtiva e geram um impacto enorme. Esse é o caso da supplytechs, startups e scale-ups de inovação que utilizam da tecnologia para transformar a gestão da cadeia de suprimentos. 

Essas startups e scale-ups surpreenderam em 2021, alcançando a marca de US$ 223,7 milhões em 12 rodadas. E esse número deve crescer ainda mais, acompanhando o desenvolvimento de outros setores que dependem dessas empresas para entregar seus produtos e serviços.

Outros setores que merecem destaque

Saúde – Healthtechs

O setor de saúde vem apresentando resultados impressionantes desde 2020. No ano passado, foram 53 rodadas de investimentos em healthtechs, contabilizando US$ 106 milhões, volume, 70% maior que em 2019, de acordo com dados do Distrito. Além disso, 12 transações de M&A foram de empresas de saúde.

E, neste ano, a tendência só cresce. Comparando com o primeiro trimestre de 2020, as  healthtechs receberam 337% mais investimentos em 2021, acumulando um volume de US$ 93,5 milhões aportados no mesmo período deste ano. E não parou por aí, durante todo o semestre de 2021, essas empresas levantaram US$ 183 milhões em 29 rodadas.

De acordo com uma pesquisa da LAVCA feita com fundadoras e fundadores de edtechs e healthtechs na América Latina, houve aumento no fluxo de caixa devido a pandemia. Por outro lado, a regulação desses setores ainda é vista como principal barreira ao crescimento na região, assim como no Brasil.

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Educação – Edtechs

As edtechs tiveram um crescimento exponencial – e surpreendente – em 2020. No ano passado inteiro, essas empresas captaram apenas US$ 29 milhões. Já esse ano, considerando o primeiro semestre, o volume de capital chegou a US$ 223,7 milhões levantados em 24 rodadas, segundo dados do Distrito. 

Essa onda positiva das edtechs é evidente na rede Endeavor já neste ano. Em fevereiro, a Hotmart recebeu um investimento no valor de US$ 130 milhões. O Descomplica captou US$ 84 milhões. A Passei Direto foi comprada pela UOL EdTech, fortalecendo, ainda mais, o setor. 

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